Natal não é festa pagã. É o escândalo de Deus que se fez carne.
Patrícia Castro
12/25/20252 min read
Se o homem moderno perdeu o sentido do Natal, é porque antes se esqueceu de que está perdido. E quem não se reconhece perdido não percebe a necessidade de ser salvo. Se o mundo hoje celebra o Natal de forma pagã, é porque passou a viver como pagão: já não se reconhece pecador e, por isso, já não percebe o quanto necessita de redenção.
Quando o sentido do Natal se esvazia, a própria ideia de salvação se torna estranha, incômoda ou desnecessária. Um Salvador só faz sentido para quem admite que não pode salvar a si mesmo.
Se o período natalino é explorado para consumo e lucro, a responsabilidade não é da Igreja. A Igreja celebra um acontecimento histórico e decisivo: o Verbo se fez carne. Deus entrou na história porque o pecado havia rompido a comunhão entre o homem e o seu Criador. A Encarnação foi a resposta concreta de Deus à miséria espiritual humana.
Para que o homem fosse elevado, Deus precisou descer. A salvação não veio pela força, mas pelo rebaixamento: Deus se fez homem. O Eterno aceitou o tempo; o Infinito se deixou conter; Aquele que tudo possui escolheu a pobreza. Deus não nos salvou à distância — assumiu a condição humana para redimi-la por dentro.
Fulton Sheen sintetizou esse mistério ao dizer: “Dê-me o seu nada, e Eu lhe darei o meu Tudo.” Deus não pede méritos nem grandezas, mas humildade. Somente corações despojados conseguem reconhecer a grandeza escondida na fragilidade do Menino na manjedoura.
O Natal revela, assim, uma troca profundamente desigual: Deus assume a nossa humanidade para nos oferecer a Sua vida; entra no nosso tempo para nos abrir a eternidade; acolhe o nosso cansaço para nos conceder redenção; recebe o coração ferido para devolvê-lo curado pelo Amor. Esse mistério não pertence apenas ao passado — ele continua a agir.
Não cantamos parabéns para Jesus no Natal, como se Ele necessitasse de homenagens humanas. Natal não é festa de aniversário. Natal é um momento em que Jesus nos chama à conversão: Deus está às portas, à procura de um coração onde possa nascer — e Ele só nasce se O permitirmos.
Que hoje você possa ouvir essa voz que sussurra ao coração e o chama a trilhar um caminho onde a fé, a esperança e a caridade — virtudes que só florescem em um coração cristão — o façam crescer no amor.
Lembremos todos os dias que Cristo não nasce em corações cheios de si, mas em manjedouras: pobres, silenciosas e disponíveis. E somente quando o homem entrega o seu nada é que Deus pode, enfim, entregar o Seu Tudo.
Feliz Natal pra você, que Jesus nasça todos os dias no seu coração!🥰🙏🎄

