Sacerdotes: homens que escolheram a melhor parte

Patrícia Castro

4/25/20263 min read

Outro dia li um comentário estúpido em uma rede social. A pessoa dizia que os padres deveriam se casar, sugerindo que o casamento fosse um remédio contra o homossexualismo e a pedofilia dentro do clero. 

Não é a primeira vez que vejo piadinhas maliciosas e comentários rasos a respeito do sacerdócio. Aliás, assim como Cristo foi perseguido, humilhado e sacrificado, todo homem que se separa do mundo para continuar Sua missão na Terra certamente terá que carregar sua cruz.

E uma das cruzes que  os sacerdotes carregam é justamente a maledicência de pessoas incapazes de enxergar o mundo pelos olhos da fé, da razão e da transcendência. São pessoas que reduzem toda existência humana aos impulsos do corpo e aos desejos da carne, como se o homem fosse incapaz de dominar a si mesmo ou viver por algo maior do que o próprio prazer.

O mundo moderno perdeu a capacidade de entender a renúncia. Acredita que felicidade é satisfazer todos os desejos da carne. Por isso não consegue entender o sacerdócio como uma entrega voluntária a Cristo. O Padre Daniel Rodrigues, em seu curso de Filosofia e Teologia no Youtube, repete constantemente que um padre consegue perfeitamente viver sem sexo, mas não é capaz de viver sem amor. E quem ama, se sacrifica.

Então, o padre não é um homem fracassado afetivamente. Pelo contrário: é um homem cheio de amor, que escolheu, de forma consciente e espiritual, ouvir o chamado de Deus para cumprir a sua vocação. É importante entender que o  sacerdote abre mão do casamento, mas não despreza a família. Tanto que sua vida será dedicada a apoiar as famílias na missão mais importante do mundo: levá-las ao Céu.

Além disso, é intelectualmente desonesto associar celibato à perversão moral. O problema moral do homem não se resolve com uma aliança no dedo. Se fosse assim, não existiriam adultérios, abusos, prostituição, pornografia, violência doméstica e tantas outras perversões dentro de casamentos e famílias.

O casamento não canoniza ninguém automaticamente. Uma pessoa não se torna pura ou casta apenas porque se casou. A castidade é uma virtude nos dado pela graça divina e que todo ser humano deveria buscar — solteiro, casado ou vocacionado à vida sacerdotal.

Além disso, é profundamente injusto associar uma categoria inteira de homens que fizeram uma renúncia radical por amor a Cristo e ao próximo a crimes hediondos cometidos por indivíduos específicos. A pedofilia é um crime monstruoso, condenado moralmente e criminalmente, e deve ser tratada com absoluto rigor. Mas transformar exceções criminosas em instrumento de ataque ao sacerdócio revela desonestidade intelectual e preconceito anticatólico.

O sacerdote não abandona o casamento por incapacidade afetiva ou desvio moral. Ele faz uma entrega espiritual. Renuncia a uma vida comum para dedicar-se integralmente ao serviço de Deus e das almas.

Vivemos em uma sociedade tão sexualizada que muitos já não conseguem compreender que exista amor fora da lógica do desejo físico. Reduzem tudo ao corpo, ao impulso e ao prazer. Por isso não entendem o sacerdócio. Não entendem a disciplina, a renúncia e a busca sincera pela santidade.

O padre não é um homem sem amor. É justamente o contrário: é alguém que decidiu ampliar sua forma de amar. Assim como Cristo se sacrificou por todos nós, o sacerdote se sacrifica diariamente pelos fiéis.

O Padre Luís Henrique Brandão (Paróquia Santa Genoveva-Goiânia), que abandonou a carreira médica para seguir sua vocação, sempre responde com brilho nos olhos a todos que o questionam sobre sua escolha: “eu escolhi a melhor parte”.

Oremos para que Deus chame novos vocacionados e para que estes respondam com zelo à voz do Senhor. Oremos para que Deus nos conceda sacerdotes santos e fervorosos. Lembremos que sem sacerdotes, não há sacramentos. Sem sacerdotes, não há Eucaristia, confissão, unção dos enfermos nem a continuidade visível da missão que Cristo confiou à Sua Igreja. Entenderam agora porque o sacerdócio é tão atacado?